"No Inverno dos Amantes"
"No Inverno dos Amantes"
No alvor do frio, um sol de prata acende,
E aquece a alma mais do que a pele sente.
É junho e os ventos, com doçura, entendem
Que amor não dorme — apenas se faz ausente.
Na xícara, o chá murmura em carmim,
Enquanto o olhar se perde em horizonte.
Lá onde um nome ecoa, mesmo assim,
Sem voz, mas com ternura que não some.
Presentes estão, os beijos que demoram,
Os braços que se enlaçam sem promessa.
Distantes — outros — brilham, mas não choram,
Pois vivem onde a ausência não começa.
Teu rosto, feito aurora sobre a neve,
Retorna em cada sonho mal despido.
E o peito, oh luz, se lembra e se atreve
A amar quem nunca foi, de fato, ido.
Seja no toque vivo ou na lembrança,
Amor é chama acesa no estio frio.
É chama que persiste, mesmo mansa,
Num sopro de saudade ou desafio.
Astir*Carr
12/6/2025
Enviado por Astir em 12/06/2025