<SÚPLICA E RESPOSTA À RAINHA DA PAZ >
Entre a Súplica e a Paz
A poesia, às vezes, nasce como uma oração.
O poeta Márcio Sakuma eleva, em forma de soneto petrarquiano, uma súplica intensa à Rainha da Paz, pedindo que silencie o clangor das guerras e devolva à humanidade o caminho da luz.
Tocada por essa prece poética, nasceu este dueto:
um segundo soneto que procura responder, como um eco de esperança, à voz que se ergueu em súplica.
Que entre a palavra que clama e a palavra que consola, possamos todos lembrar que a paz ainda habita o coração humano.
Astir*Carr
Súplica e Resposta à Rainha da Paz
Dueto poético
Súplica à Rainha da Paz
Márcio Sakuma
Os braços níveos a envolver o Etéreo
Causam silêncio no feral clangor.
Curva-se a farda em figadal pudor,
A contemplar o sublimal mistério.
Mandai às favas o canhão funéreo,
Deita-se o aço vil de plúmbeo odor,
Cessa-se a pugna de infernal fragor,
Que o Infinito se mostrou sidéreo!
A dar-nos força no mortal conflito,
Rasga-se o véu, material muralha,
Para a repulsa ao devenir finito
Manifestar-se nessa vã batalha,
A libertar-nos do frial Cocito,
Por que essa vida seja a nós mortalha.
✨✨✨
Resposta da Rainha da Paz
Astir*Carr
Filhos da Terra, escuto vosso brado
Erguido ao Céu em súplica e clamor;
Se o mundo treme em lâmina e furor,
Meu manto envolve o campo dilacerado.
Quando o canhão ressoa ensanguentado
E o homem perde a face do amor,
Semeio estrelas no interior da dor
E um novo sol desponta iluminado.
Não fostes feitos para a fria guerra:
Há em cada alma um lume adormecido
Que pede paz e eternidade à Terra.
Quando o ódio enfim for dissolvido,
Sabereis — no silêncio que se encerra —
Que a paz já vive em cada ser nascido.
Março de 2026
Foz do Iguaçu-PR
Enviado por Astir em 16/03/2026