Astir*Carr
Onde a vida se transforma em poesia.
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POIS AINDA…

O asfalto ferve, o sonho espera,

a fila cresce, ninguém pondera.

O rosto cansa, o olhar se abaixa,

a esperança já vem tão baixa.

Na praça vazia, quem vai responder?

Tanta vida calada… por quê?

O imposto sobe, o pão diminui,

a mesa pobre aos poucos se dilui.

O discurso é bonito na televisão,

mas falta remédio, sobra ilusão.

Na porta da escola, quem quer aprender

se a verdade custa… por quê?

O velho trabalha, o jovem procura,

a mãe silencia a própria amargura.

A criança brinca sem compreender

que o futuro pode lhe escapar sem querer.

E quem faz promessas sem nunca cumprir,

dorme tranquilo… por quê?

A terra é rica, o povo resiste,

o céu continua azul e insiste.

Há mãos honestas semeando o chão,

há fé renascendo em cada oração.

Mas quando a ganância prefere vencer,

quem paga a conta… por quê?

Não quero o ódio, nem divisão;

quero justiça de coração.

Que o bem floresça acima do poder,

que a lei não se dobre ao interesse de um ser.

Que a Pátria desperte, volte a viver,

sem medo do amanhã… por quê?

Ainda acredito, apesar da dor,

que vence a verdade, que vence o amor.

Porque um país se levanta outra vez

quando o povo desperta da sua mudez.

E então a pergunta deixará de doer:

“Pois é… pra quê?”

Será: “Pois é… pra renascer.”

Astir*Carr

1/7/2026

Inspirada na música

“ Pois é…Pra quê? “ de 1971 MPB

Compositores: Sidney Alvaro Miller Filho

Enviado por Astir em 01/07/2026
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