PRISIONEIROS DO SILÊNCIO
Há palavras que morrem nos lábios
antes mesmo de alguém escutar,
há desejos guardados no peito
que o silêncio não deixa escapar.
Há silêncios que dizem segredos
que os olhos não sabem esconder,
e há um sonho que chega de noite
só para encontrar você.
Prisioneiros do silêncio,
eu e você, sem confessar,
guardando um amor tão imenso
que não ousa se revelar.
E enquanto a noite nos esconde,
o coração insiste em chamar;
há um nome que a voz não responde,
mas que a alma não pode calar.
E há aqueles que atravessam mares
e deixam em nós um abismo,
onde a alma, em segredo, habita
e o amor calado criou raízes.
Ninguém soube, porque a boca não fala
o que se passa no coração;
a alegria falsa a dor mascara
e faz da ausência uma prisão.
Quantas vezes, cercada de gente,
eu procurei seu olhar sem querer;
quantas vezes sorri simplesmente
para ninguém perceber.
E na hora em que a noite se cala,
quando já não preciso fingir,
é seu nome que a alma pronuncia
sem que a voz se atreva a sair.
Quando partiu, você deixou
algo que eu não soube descrever:
as palavras que não disse,
meus olhos disseram a você.
Prisioneiros do silêncio,
eu e você, sem confessar,
guardando um amor tão imenso
que não ousa se revelar.
E enquanto a noite nos esconde,
o coração insiste em chamar;
há um nome que a voz não responde,
mas que a alma não pode calar.
Astir*Carr