CORAÇÃO DE CINZAS
Você deixou sobre a mesa
as palavras que não disse,
e eu guardei nos sonhos meus
a tristeza de um adeus.
Houve um tempo em que seu nome
era fogo sobre mim;
hoje a brasa vira cinza
de um amor que chega ao fim.
Coração de cinzas
também sabe renascer,
o que o fogo não levou
já não pode me prender.
Queime a última lembrança,
deixe o vento carregar;
das cinzas do que fomos
eu aprendi a me levantar.
Não lhe peço que regresse,
nem explicações vou dar.
Há amores que terminam
para a gente se encontrar.
Fui inteira quando amei você,
sou inteira ao lhe esquecer;
quem atravessou o incêndio
já não teme se perder.
Se alguma brasa ainda existe,
deixe o tempo lhe apagar.
Não se vive entre ruínas
quando ainda se pode amar.
Coração de cinzas
ainda pode florescer,
porque aquilo que foi fogo
não decide quem vou ser.
Leve embora o que era nosso,
não há nada a reclamar.
Das cinzas do que fomos
eu escolhi recomeçar.
Das cinzas…
não ficou você.
Fiquei eu.
Astir*Carr