CORAÇÃO EM DOIS MUNDOS
Há um mar que me separa,
há um céu sobre outro chão.
De um lado deixo um abraço,
do outro, o meu coração.
Quando parto, levo comigo
quem eu deixo a me esperar.
Ser mãe é viver a distância
sem jamais deixar de amar.
São dois mundos que chamo de lar,
dois caminhos que preciso abraçar.
Metade aqui, metade além,
mas meu amor não falta a ninguém.
Entre partidas, chegadas e adeus,
meu coração atravessa os céus.
Sou inteira, mesmo ao me repartir,
porque ser mãe é nunca deixar de sentir.
Há uma filha que me espera,
uma neta a florescer,
e há um filho lá distante
que meu peito quer rever.
Não existe mapa ou fronteira
que consiga me dividir;
onde estiverem os meus filhos,
há um pedaço meu a existir.
Talvez meu destino seja
entre dois horizontes caminhar:
quando abraço quem está perto,
já tenho saudade de quem ficou por lá.
São dois mundos que chamo de lar,
dois amores que não sei separar.
Posso partir, posso voltar,
meu coração sempre sabe onde está.
E se a vida me fez repartir
entre aqueles que me fazem existir,
sou inteira em qualquer paradeiro:
peito dividido… amor inteiro.
Dois mundos…
um só amor inteiro.
Astir*Carr
Setembro 2026