Não foi adeus: foi o tempo em suspensão,
um cais onde o afeto aprende a esperar;
o ontem ficou guardado na canção
que a memória insiste em entoar.
Seguimos por estradas sem visão,
levando o que não soubemos deixar:
um gesto, um nome, uma estação
onde o amor parou para respirar.
O tempo, esse artesão do imprevisto,
lapida ausências como quem prepara
o reencontro que nunca foi desistido.
E assim, na curva exata do existir,
um dia ou outro — a alma sabe e ampara —
nos veremos, sem precisar fugir.
Astir*Carr
Spinea-Ve , Itália
7/1/2026