Astir*Carr
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*VESTIDA DE ESTRELAS*

Um sussurro me chamou.

Não sei se veio de fora,

ou se fui eu mesma,

em outra forma,

em outro tempo,

chamando-me de volta.

Atravessei a cortina feita de horas —

e o tempo recuou como um véu com medo.

Ali, o Tarot se abriu em flor,

mas cada carta era um espelho.

O Louco me estendeu a mão,

e ao tocá-la, caí para dentro.

Não do abismo —

mas de mim.

No fundo do que não soube nomear,

encontrei uma porta esculpida em silêncio.

Na maçaneta: uma runa.

Na madeira: um olho fechado.

Atrás da porta: um céu que não existe,

e ainda assim… me reconheceu.

Lá dançavam os símbolos antigos —

a Lua, com véu de prata.

Saturno, costurando destinos com linha de sombra.

E uma criança de olhos antigos

me entregou uma estrela.

“É tua veste”, disse.

“Mas só brilhará

quando tiveres esquecido o caminho de volta.”

Então me deixei perder.

Me descalcei das certezas.

Me vesti de silêncio.

E me tornei palavra.

Quando despertei,

meus olhos ardiam com o que não vi.

Minha pele cheirava a presságio.

E meus passos ecoavam

em caminhos que ainda não existem.

Agora, quem me olha…

vê algo que não entende,

mas sente.

E talvez —

ao me olhar,

se encontre também.

Vestido(a) de estrelas.

Astir*Carr

Um dia de um mês qualquer de 2025


Enviado por Astir em 15/09/2026
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