*A CHUVA QUE EU AMO*
Gosto da chuva.
Do seu jeito de chegar
e mudar o som da tarde.
A rua perde a pressa,
as folhas se inclinam,
e o cheiro da terra molhada
me alcança pela janela.
Há uma saudade leve
nesse rumor sobre o telhado.
Deixo que ela se sente comigo;
não preciso dizer nada.
Enquanto a água escorre no vidro,
penso nas raízes,
no jardim bebendo devagar,
na semente que, sob a terra,
talvez comece a despertar.
Sei que há quem enfrente a chuva
sem o abrigo que me guarda.
Por isso, ao agradecer a água,
peço também proteção
para quem caminha lá fora.
Que ela venha mansa,
que encontre os rios,
que molhe os campos
e deixe as casas em paz.
Adormeço quando a chuva
canta junto à minha janela.
Mas, antes de fechar os olhos,
peço que quem perde o sono
sob o mesmo céu
encontre abrigo também.
Aqui, junto à janela,
acompanho seu compasso.
Uma folha recebe uma gota,
se curva,
depois se ergue.
E eu fico olhando,
com vontade de cantar.
Astir*Carr
Outubro/2026
Enviado por Astir em 20/10/2026