Astir*Carr
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Textos
Carta dela (“Ao meu amor que o tempo não levou”)...Carta dele (“Àquela que nunca deixou de ser meu lar”)
Carta dela (depois de 40 invernos)
“Ao meu amor que o tempo não levou”

Hoje, a brisa do inverno tocou meu rosto
como tua mão fazia — com delicadeza.
Fechei os olhos, e te vi de novo,
com aquele sorriso que fazia promessas sem falar.
Quarenta anos, meu querido...
E mesmo assim, há noites em que ainda sonho com o som da tua chegada.
Não sei se a vida foi descuido ou destino,
mas sei que em algum lugar de mim, você ficou.
A gente envelhece por fora —
mas o amor...
O amor fica menino dentro da gente.
E é por isso que, com quase 80, escrevo como quem tem 17.
Porque te amo como se fosse a primeira vez.
E espero, sim…
Não sei se pelo teu retorno,
ou só pela chance de ouvir teu nome outra vez no vento.
Com amor que nunca partiu,
— Tua sempre.
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Carta dele (imaginada como resposta, encontrada ou sonhada)
“Àquela que nunca deixou de ser meu lar”

Ah, se soubesses quantas vezes pensei em voltar.
Mas o tempo foi maré — e eu, barco sem vela.
Nem coragem, nem palavras…
Mas o amor? Nunca cessou.
Você sempre foi minha lembrança mais serena.
A que vinha nos dias bons — e salvava os ruins.
Mesmo sem saber, você me manteve de pé.
Hoje, com cabelos brancos e olhos cansados,
ainda vejo teu rosto como quem olha o céu:
não toca, mas acredita.
E isso me basta.
Se não for mais pra nós dois nos vermos com os olhos,
que seja com a alma.
Pois, se há algo que o tempo não pode roubar,
é o que a gente escreveu um no outro.
Com saudade eterna,
— Teu. Sempre. Mesmo que tarde.


Astir*Carr
Um dia qualquer de inverno
Astir
Enviado por Astir em 17/06/2025
Alterado em 30/10/2025
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