Astir*Carr
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< O QUE HÁ POR TRÁS DO MEU OLHAR>
É um poema que caminha descalço sobre o tempo,
Que diz sem dizer,
E toca sem tocar.


“O que há por trás do meu olhar”

Não te fies no que brilha.
A luz, às vezes, esconde.
Meu olhar não mostra o mundo —
ele o traduz em enigmas.

Há cidades inteiras
que jamais caminhei,
mas cujas ruas reconheço
quando sonho de olhos abertos.

Vejo a dobra entre os instantes,
onde o tempo se esconde para respirar.
Vejo o som antes do eco,
e o gesto antes da vontade.

Agradeço a folha que cai
sem saber que caiu,
o sussurro que nasce
do que nunca foi dito.

Há também quem me olhe
sem saber que me vê —
e nesse breve encontro,
o Universo se curva em segredo.

Meu olhar é um espelho antigo,
onde o que te falta aparece,
mas apenas se, não busca.
E se busca, não percebe.

Então te digo:
não me perguntes o que vejo.
Olha comigo —
e talvez descubras
o que em ti sempre esteve.

Astir*Carr
Julho 2025

Este poema é um oráculo discreto —
deixa perguntas suspensas no ar,
como estrelas à espera de serem nomeadas.
Astir
Enviado por Astir em 04/07/2025
Alterado em 09/07/2025
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