SONETO DO AMOR TOTAL (Vinícius de Moraes) & SONETO DO AMOR ETERNO (Astir*Carr)
SONETO DO AMOR TOTAL
Vinícius de Moraes
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo, de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Rio, 1951
SONETO DO AMOR ETERNO
(em dueto a Vinicius de Moraes)
Amo-te além do tempo que se sente,
Num voo que não cabe em qualquer rima…
Amo-te em sonho cálido e presente,
E em cada dor que em teu silêncio exprima.
Amo-te em luz — intensa e persistente —
Como quem bebe o céu quando sublima.
Amo-te no que é puro, transparente,
E no que a carne em fogo nos aproxima.
Amo-te assim, com alma e com essência,
Com o gesto mais sagrado e mais profano,
No sim que se repete na ausência.
E se o teu verso é chama e é arcano,
O meu, em reverência e consciência,
Te segue… eternamente soberano.
Astir*Carr
9/7/2025
Astir e Vinícius de Moraes
Enviado por Astir em 14/07/2025