<< PARA ELAS, QUE AMARAM DEMAIS >>
Para Elas, que Amaram Demais
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A ti, mulher de alma ferida e forte,
que amou sem medida, sem retorno, sem norte.
A ti, que te apagaste por alguém que nunca soube
a luz que carregavas.
A ti, que agora renasces.
Talvez devagar. Talvez com medo.
Mas renasces.
Estes versos são tuas janelas.
Lê-os como quem se olha.
E quando tua lágrima for a última,
saberás: és livre.
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1. Soneto da Última Lágrima
De tanto amar-te, esqueci de mim inteira,
fui sombra à tua luz que nunca vinha;
fiz-me jardim na tua primavera alheia,
e colheste de mim a flor mais sozinha.
Foste rei de um trono feito de poeira,
soberbo em teu silêncio, em tua linha
torta de amor — e eu, boba feiticeira,
tecia encantos na dor que definha.
Mas hoje, vejas, ergo-me de mim mesma!
Não mais mendigo gestos ou migalhas:
sou mar que rompe as pedras da algema,
sou sol que nasce além das tuas falhas.
Tarde? Talvez. Mas livre, enfim, da treva:
tarde é o tempo onde o amor se enleva.
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2. Despedida em Voz Alta
Que fique claro: não és mais meu abrigo,
fui casa tua sem ter morada em mim.
Te dei o céu — voavas sem perigo —
e eu, no chão, sangrava o meu jardim.
Rasguei meus mapas pra seguir contigo,
calando o amor enquanto o teu era fim.
Mas vês agora? Já não mais mendigo:
meu riso voltou, e é só para mim.
Leva teu nome — tirei-o da pele.
Leva teu vulto — já não me comove.
Eu sou a fênix que no orgulho expele
a cinza tua que já não me serve.
Tarde? Talvez. Mas livre. Isso me move.
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3. Última Página
Cansei de amar sozinha, em silêncio frio,
de esperar teu gesto feito sol de inverno.
Minha alma, cativa, te fez um império,
e tu, rei ausente, tornaste-o vazio.
Foi longo o caminho — dor em desvario,
mas em mim renasce um amor mais terno:
por mim. Sim, por mim. E este é eterno,
não precisa de espelhos ou desafio.
Se um dia voltares, será tarde demais.
Meu barco zarpou sem grito, sem rancor.
Aprendi: quem não vê, um dia se desfaz.
E o que restou? Uma mulher sem temor —
que se ama agora, ainda que após a paz
tardia… mas plena, em seu próprio ardor.
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4. Liberta
Olha pra mim: sou luz que te deixou!
Já não te espero — a vida me espera.
O amor que te dei, foste quem voou,
mas fui eu quem criou nova primavera.
Que me chames de estrela que apagou?
Bobagem tua! Fui sol em tua esfera,
mas tu, cego, nem sombra me notou…
Hoje sou céu que a própria luz impera!
Beijei-me inteira, e disso fiz altar.
O que perdi em ti, achei em mim.
Tarde? Talvez. Mas pronta pra brilhar
sem precisar de aplauso nem jardim.
O amor que deixo é minha forma de andar —
e sigo em paz, porque recomeço enfim.
Astir*Carr🌟🕊️✨
Foz de Iguaçu/ 2025
Astir
Enviado por Astir em 18/07/2025