<< POEMA PARA O AMOR QUE CURA>>
<< Poema para o Amor que Cura>>
Não és paixão, nem posse, nem promessa.
És o Amor que chega sem bater,
e sem ruído,
acolhe o que ninguém quis ver.
És aquele que senta ao lado da dor,
sem pedir que ela se cale.
Que escuta os gritos sem medo,
e beija as feridas com silêncio.
Tens olhos que não julgam,
mãos que não apertam — sustentam.
És sopro quando falta ar,
és luz quando falta chão.
Não perguntas o porquê do choro,
apenas enxugas com ternura.
Não dás conselhos,
dás presença.
És o Amor que não se exibe,
mas que habita.
Que não se impõe,
mas que existe — inteiro —
em cada gesto que diz:
“estou aqui, mesmo quando tudo for embora.”
És colo sem braços.
Remédio sem receita.
És aquele Amor que não cura com pressa,
mas com permanência.
Para ti, jovem que sofre em silêncio —
menina Duda, menino João,
todas as almas sem nome: esse Amor é teu.
Está no ar, na mão estendida,
na palavra que chega no instante certo,
no poema que talvez, agora,
tenha te alcançado.
Astir*Carr
31/7/2025
Astir
Enviado por Astir em 31/07/2025