Astir*Carr
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**MONÓLOGO DO ABRAÇO**
💫Monólogo do Abraço💫

O abraço é uma linguagem sem gramática.
Ele não se aprende — se reconhece.
É memória do corpo,
casa provisória da alma.
Nasce antes das palavras
e, muitas vezes, permanece
quando elas já não dão conta.

O primeiro abraço não é pedido.
Ele acontece.
É quando o mundo começa
e a mãe diz sem voz: pode vir, estou aqui.

Depois vem o abraço do pai,
que sustenta, que ancora,
que ensina ao corpo
que existe um chão possível.

Há os abraços da vida:
os fraternos, os de encontro,
os que celebram, os que acolhem,
os que seguram quando tudo ameaça cair.

Há abraços que salvam dias inteiros
e outros que duram segundos,
mas ficam gravados na pele
como quem nunca vai embora.

Existem abraços vazios.
São frios, ensaiados,
o corpo percebe o que a palavra disfarça.
Nem todo abraço abriga.

Mas há o abraço do amor…
esse reorganiza o caos,
silencia o medo,
faz o tempo respirar.

Há o abraço na dor,
quando nada resolve
e só o corpo do outro
impede a queda.

Existe o abraço da despedida,
aquele que aperta mais
porque já virou saudade.
E o abraço do retorno,
que diz sem som: a espera valeu.

E há o abraço que falta.
Talvez o mais dolorido.
A ausência de um abraço dói no corpo,
adoece o silêncio,
inventa ausências.

Por isso, quando puderes, abraça.
Sem pressa.
Sem defesa.
Sem explicação.

Porque um abraço
é quando duas almas se reconhecem
por um instante
e descansam.

Astir*Carr 🤍✨
Spinea -Ve - Italia
19/12/2025
Astir
Enviado por Astir em 19/12/2025
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