<< INACABADA>>
Passei por tantas estações da vida,
primaveras de flores e promessas,
verões de sonhos, lutas e conquistas,
outonos de colheitas e saudades.
Hoje, quando o tempo desenha
seus fios prateados sobre minha fronte,
descubro que viver
não era chegar.
Era caminhar.
Durante anos procurei a perfeição
como quem busca uma estrela distante,
sem perceber que a beleza
morava justamente
nos passos incertos da jornada.
Aprendi que somos obras abertas,
poemas que Deus escreve lentamente
com tinta de lágrimas,
sorrisos,
esperanças
e recomeços.
Nada do que amei se perdeu.
Os que partiram permanecem
misturados à minha própria essência.
Vivem em minhas lembranças,
em minhas preces,
nos gestos que repito sem perceber,
nas palavras que ainda aquecem meu coração.
Há ausências que não partem.
Apenas aprendem outra forma de ficar.
E eu,
que tantas vezes me julguei pequena,
imperfeita,
inacabada,
hoje compreendo:
não fui chamada à perfeição.
Fui chamada ao amor.
Por isso sigo.
Aprendendo.
Caindo.
Levantando.
Tentando ser melhor
a cada novo amanhecer.
Porque enquanto houver um sonho,
uma oração,
um abraço,
um poema,
a vida continuará me ensinando
que a luz não pertence aos seres perfeitos,
mas àqueles que,
mesmo carregando suas sombras,
escolhem continuar iluminando o caminho.
Astir*Carr
12/6/2026
Astir
Enviado por Astir em 25/06/2026