Astir*Carr
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CORAÇÃO DE CINZAS

Você deixou sobre a mesa

as palavras que não disse,

e eu guardei nos sonhos meus

a tristeza de um adeus.

Houve um tempo em que seu nome

era fogo sobre mim;

hoje a brasa vira cinza

de um amor que chega ao fim.

Coração de cinzas

também sabe renascer,

o que o fogo não levou

já não pode me prender.

Queime a última lembrança,

deixe o vento carregar;

das cinzas do que fomos

eu aprendi a me levantar.

Não lhe peço que regresse,

nem explicações vou dar.

Há amores que terminam

para a gente se encontrar.

Fui inteira quando amei você,

sou inteira ao lhe esquecer;

quem atravessou o incêndio

já não teme se perder.

Se alguma brasa ainda existe,

deixe o tempo lhe apagar.

Não se vive entre ruínas

quando ainda se pode amar.

Coração de cinzas

ainda pode florescer,

porque aquilo que foi fogo

não decide quem vou ser.

Leve embora o que era nosso,

não há nada a reclamar.

Das cinzas do que fomos

eu escolhi recomeçar.

Das cinzas…

não ficou você.

Fiquei eu.

Astir*Carr

Astir
Enviado por Astir em 10/09/2026
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